Terça-feira, 5 de Abril de 2011
Poema

Tempo

 

Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.

Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!

Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!

 

Miguel Torga



publicado por Leituras e Letras às 11:06
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Terça-feira, 15 de Março de 2011
Poema

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


                          Fernando Pessoa



publicado por Leituras e Letras às 10:24
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Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011
Poema do dia: Na Mão de Deus

"Na Mão De Deus"

 

Na mão de Deus, na sua mão direita,

Descansou afinal meu coração.

Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.


Como as flores mortais, com que se enfeita

A ignorância infantil, despojo vão,
Depois do Ideal e da Paixão

A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,

Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!

 

 

Antero de Quental

 

Boas Leituras!

 

Daniela


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publicado por Leituras e Letras às 17:39
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
Poema

Olá mais uma vez caros leitores! :)

Hoje temos para vocês um poema de Florbela Espanca.

 

AMAR!

 

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui…além…
Mais este e aquele, o outro e toda a gente….

Amar!Amar! E não amar ninguém!

 

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

 

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.

 

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

 

Florbela Espanca - "A mensageira das violetas"

 

E é tudo por hoje, esperamos que tenham gostado! :)

 

Irina



publicado por Leituras e Letras às 22:46
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Somos 5 raparigas do 12ºE do curso de Humanidades. Pretendemos com este blog divulgar o nosso projecto bem como mostrar-vos o desenvolvimento deste. Esperamos atingir o nosso objectivo: divulgar a leitura.
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