Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011
Entrevista a Inês Botelho!

Ora bem, nossos caros leitores! Após uma breve actualização do nosso projecto, apresentamo-vos uma das nossas actividades aqui e agora! Um dos elementos do grupo, a Daniela, pediu a esta grande escritora chamada Inês Botelho, que nos cedesse algumas respostas a uma entrevista ligada ao nosso projecto e também sobre a própria. Para conhecer melhor a escritora e outras informações, podem consultar o seu website: www.inesbotelho.com

 

Agora, a entrevista:

 

1.       Como surgiu o seu gosto pela escrita?

Inês: "Desde que aprendi a escrever que tive tendência para escrevinhar histórias, textos muito pequenos, principalmente sobre objectos. Por volta dos dez anos estava plenamente convencida de que seria escritora e comecei vários livros que nunca terminei; as temáticas não me interessavam e a minha escrita era perfeitamente anónima, sem qualquer tipo de voz autoral. Quando, por volta dos doze anos, revi o que escrevera tive uns quantos ataques de riso e não voltei a pensar num futuro como escritora. Direccionei todo o meu percurso académico para a via científica, que também sempre me fascinara, e só voltei a pensar na escrita quando, aos quinze anos, a ideia para a trilogia começou a tomar forma. Decidi tentar transpor aquela história para o papel e, de repente, muito depressa, a escrita tornou-se um vício, uma necessidade, uma profissão. Algures no meio do processo, a minha relação com escrita mudou. Cada vez mais procuro uma escrita que não só sirva o texto como seja indissociável dele, que o enriqueça e assim contribua para uma leitura mais vasta."

 

2.       Em quê/quem se inspira para escrever os livros?

Inês: "Tudo. Naquilo que vi, li, experimentei, senti, ouvi, observei, assumi, imaginei. E em nada directamente. Não há nenhum livro, nenhum autor, nenhum lugar e nenhuma memória a que recorra em momentos de crise. A inspiração enquanto fenómeno espontâneo ocorre muito menos vezes do que se supõe. Claro que acontece, mas não se pode depender dela; engloba-se naquilo a que chamo o incompreensível da escrita e onde incluo também a origem das ideias, as frases que saem brunidas e maravilhosas sem entender bem porquê, o possível talento e o hipotético dom. Este incompreensível representa apenas dez por cento do processo de escrita. Tudo o resto é trabalho. No entanto, acredito que nada vem do nada e que portanto o que construo tem como solo fértil, embora não como fonte directa, todas essas experiências e suposições que me formam."

 

3.       Quando os escreve, escreve-los como se fossem para si ou pensa no que o público pode gostar de ler?

Inês: "Escrevo para o livro. Gosto de ler dentro de muitos géneros e estilos, mas não consigo escrever com estilos totalmente díspares. Ou seja, nem tudo o que me interessa enquanto leitora me interessa enquanto escritora. Naturalmente escrevo algo que me agradaria ler, mas não escrevo para mim, nem me imagino como o leitor ideal. Aliás, o público apenas me preocupa quando já terminei o livro. Quero, como seria normal, que o público aprecie o livro, mas também sei que nem todos gostarão. Não se pode agradar a todos e não se deve. Além disso, é impossível prever a reacção dos vários leitores. Assim, efectivamente a minha única preocupação é o livro. Escrevo para ele, tentado construí-lo o melhor possível, dar-lhe todas as camadas de que necessita, incluir-lhe as temáticas que ele pede e as que desejo incutir-lhe, nunca traindo as personagens e as diversas questões e conflitos que despontam. A minha única obrigação é para com o livro."

 

4.       Tem algum livro/autor favorito? Porquê?

Inês: "Muitos, porque são todos extraordinários a diferentes níveis. E esta lista de favoritos não só sofre de uma constante expansão como é muito mutável. Dando apenas alguns exemplos: O som e a fúria de William Faulkner, The Bloody Chamber de Angela Carter, Ilíada de Homero, 1984 de George Orwell, Manhattan Transfer de John dos Passos, The Handmaid's Tale de Margaret Atwood, Lord of the Flies de William Golding, A Bruxa de Oz de Gregory Maguire, As Cidades Invisíveis de Italo Calvino, A Neve de Ana Teresa Pereira, O Anjo Ancorado de José Cardoso Pires, Aparição de Vergílio Ferreira, Novas cartas portuguesas, A casa da meia distância de Daniel Maia-Pinto Rodrigues."

 

5.       Acha que os hábitos de leitura/escrita estão relacionados com a evolução da tecnologia?

Inês: "Não me parece que haja uma relação directa, nem em termos positivos nem negativos. Pode ajudar ou pode dificultar, mas não é mérito nem culpa da tecnologia, é uma consequência da educação e das decisões de cada um."

 

6.       Qual a sua opinião acerca dos hábitos de leitura dos adolescentes?

Inês: "Creio que há muito mais jovens a ler hoje do que há trinta anos. Não sei se lêem com mais qualidade ou se têm verdadeira consciência crítica das suas leituras, mas o facto de lerem já proporciona essa possibilidade. De qualquer modo, ainda se lê muito menos do que me parece que seria desejável."

 

7.       Algum conselho para que os adolescentes implementem um pouco o hábito de leitura na sua rotina diária?

Inês: "Não sou a melhor pessoa para dar conselhos dessa natureza porque não consigo conceber o meu dia-a-dia sem a leitura. Ando sempre com pelo menos um livro na carteira e tenho o vício de ler tudo o que apanho à frente, nem que seja os cartazes de publicidade ou os nomes das paragens no autocarro.

Ler enriquece, contribui para uma vida mais completa. Além disso, se ninguém deixaria de ouvir música ou ver filmes, ou séries de televisão ou mesmo jogar computador ou playstation, porque se recusaria a ler?"

 

Boas Leituras!

Daniela

 

 



publicado por Leituras e Letras às 11:41
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